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quarta-feira, 28 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
Meu Sertão

A chuva anda meio arredia
pra bandas de cá
Ah, mas quando chega
é aquela festa da bicharada
Não há jeito, mas os capotes
insistem em cantar que '' tô fraco, tô fraco''
com toda a fartura que o inverno trás.
Outros sons se misturam:
o gado muge
o sapo coaxa
o gato mia
o cão late
a ovelha bale
o cavalo relincha
o jumento azurra
a calinha cacareja
a andorinha gazeia
a beija-flor arrulha
a cigarra silva
a coruja pia
o pinto pia
a rã coaxa
a rouxinol trina
o porco grunhe
o periquito grasna ....
Nas cidades canta outros cantos:
buzina de carros
paredão de som
festas pra todos os lados....
Já dizia o poeta Patativa:
''cante lá que eu canto cá''
Pra eu, o meu é mais harmonioso
Pois temos uma orquestra natural
Assim, é o Meu Sertão!
Margleice Pimenta 05/03/12.

A chuva anda meio arredia
pra bandas de cá
Ah, mas quando chega
é aquela festa da bicharada
Não há jeito, mas os capotes
insistem em cantar que '' tô fraco, tô fraco''
com toda a fartura que o inverno trás.
Outros sons se misturam:
o gado muge
o sapo coaxa
o gato mia
o cão late
a ovelha bale
o cavalo relincha
o jumento azurra
a calinha cacareja
a andorinha gazeia
a beija-flor arrulha
a cigarra silva
a coruja pia
o pinto pia
a rã coaxa
a rouxinol trina
o porco grunhe
o periquito grasna ....
Nas cidades canta outros cantos:
buzina de carros
paredão de som
festas pra todos os lados....
Já dizia o poeta Patativa:
''cante lá que eu canto cá''
Pra eu, o meu é mais harmonioso
Pois temos uma orquestra natural
Assim, é o Meu Sertão!
Margleice Pimenta 05/03/12.
sábado, 24 de março de 2012
CEARÁ
Terra em que nasceu Moura Brasil/ O Jaguaribe com os seus vales encantados/ O mirante de Bastiões que é um presente da natureza /Os ventos do Norte na espera de bom inverno/. Um Sertão ainda dos sertanejos. Alencar transforma o mundo da AMERICA em IRACEMA /a índia que encanta todo o Ceará/ E sempre será a eterna '' virgem dos lábios de mel"./ Os verdes mares com seus ventos esperançosos/ E suas jangadas que desbravam em alto-mar . O humor que ganhou esse imenso Brasil/ Com Chico, Tom e Renato... Lugar de luz, fé e cultura. Esse é o nosso imenso Ceará!
Margleice Pimenta
domingo, 18 de março de 2012
O país do Jaguaribe, no Siarah - Luciano Maia
Castanhão - Nova Jaguaribara - Ce
Do País do Jaguaribe (jaguar-u-ipe?), com as primeiras incursões destinadas à conquista e ocupação do território a oeste do Rio Grande e da Parahyba, sem esquecermos as lutas no Siarah Grande, com os guerreiros de Mel Redondo, aquele Irapuã tão famoso; do País do Jaguaribe até o território kiriri, onde nasce a grande enxurrada que inunda os vales jaguaribanos, há um espaço de tempo e um tempo no espaço dignos de uma demorada observação.
A história do Vale do Jaguaribe comportou muita discussão e por certo ainda as comportará, partindo de agora, quando as comportas do Castanhão vão se abrir, trazendo uma água advinda dos sagrados mananciais celestes, que de quando em vez fazem chorar um choro de água muita sobre o nosso chão rude.
Franklin Távora (natural do País do Jaguaribe), com o seu juvenil trabalho, elaborou premissas e conjecturas sobre os nossos índios; Capistrano de Abreu enveredou também pelos mesmos caminhos de sertões e de outroras. E Raimundo Girão (outro jaguaribeiro), historiador arguto, fala-nos, outrossim, sobre este território, onde quem nasce traz uma marcada ancestralidade, também esta digna de uma demorada observação.
1603: partindo da Parahyba do Norte, o cristão-novo Pero Coelho aventurou-se para além do País do Jaguaribe, industriado, com certeza, pelas notícias de que havia, todavia, muita terra para além do Cotinguiba, esse marco de penetração do País Maior do Nordeste. Fracassou. Nada além de uma tentativa em Ararendá, na Ibiapaba, um revide vigoroso dos tocarijus e o posterior massacre dos insubmissos, indomáveis... A primeira notícia de uma seca medonha que se abateu sobre o Siarah ãtyguo.
O País do Jaguaribe, começando pela foz do rio da onça e subindo em busca do Cariri e dos Inhamuns, conhece um rio com cerca de 750 quilômetros de extensão. Interessante é verificarmos que este rio teve a sua nascente assentada por historiadores, geógrafos e cartógrafos como sendo a partir das águas que escorrem de oeste para leste em descendência da Serra da Joaninha, divisor de águas entre o Siarah e o Pihauhy. Tudo bem. Porém, não há como negar que as águas kiriris, que se juntam ao rio à jusante do boqueirão de Orós, são muito mais abundantes do que aquelas “dos irmãos do demônio”, as quais a custo vão se avolumando no imenso açude, enquanto as que passam pelo boqueirão de Lavras são uma enxurrada de respeito. E se vemos o rio no mapa, não será difícil supormos que as águaskiriris mereceriam, pacificamente, o epíteto de nascentes do Jaguaribe, vez que descem em linha reta em demanda do litoral... e assim, o Trici, o Truçu, o Carrapateira, o Bastiões, o Jucás e outros se apelidariam de afluentes. O Salgado, de Jaguaribe.
O País do Jaguaribe, belo país da minha infância, conta histórias ancestrais. Os chegados pela foz e pelo Apodi devem ter-se encontrado com os chegados pelo Araripe. De uma maneira geral, os chegados pela foz e pelo Apodi traziam memoranças de Pernambuco, do Rio Grande, da Parahyba e do mar; os chegados pelo Araripe nos contavam lembranças da Bahia, da Casa de Garcia d’Ávila. E aí, esses senhores de baraços e cutelos foram-se afazendando e povoando o nosso País. Já estavam, com certeza, afeitos às relações interétnicas nos canaviais de Olinda e do Recife e do Recôncavo. Mas aqui, em terras do Siarah, eles se indianizaram um bocado: os nossos irmãos ibiporas (habitantes da terra) tinham pela caça um tal fervor e pelas andanças mato adentro uma tal fascinação, que não foi difícil a esses senhores induzi-los a caçar rezes tresmalhadas, que eram muitas por aqueles tempos de meados do século XVII e início do século XVIII... Os ibiporas fizeram-se excelentes vaqueiros, de peitoral e gibão. De primeiro, houve muitas matanças, promovidas pelos capitães-mores contra os índios insubmissos. Valentia de índio contra fazendeiro armado de arcabuz só pode ter sido uma temeridade, fruto, por certo, de uma bela e altaneira indomabilidade.
Não é preciso que citemos os nomes dos matadores. Aqui vamos nos contentar com o relato dessa cruza de sangue ibérico com sangue aborígene, com uma pitada de sangue africano, mescla que resultou em nós, habitantes do País do Jaguaribe. O paisano do País do Jaguaribe é, antes de tudo, hospitaleiro; um pouco nostálgico, talvez quase meio triste e sem dúvida, valente.
Essas três características, em alguns de nós menos, noutros mais, somam o fenótipo do homo jaguaribanus. Em termos de aparência, é mesmo fruto dessa mestiçagem de que se falou, preponderando aqui para o ibérico, ali para o índio, acolá para o africano. Vale aqui, por certo, lembrar o nome de Luciano Cardoso de Vargas, cognominado o Abraão do Jaguaribe, em virtude de número de descendentes que deixou ao longo do de sua longeva existência e de quem se orgulham de descender os Maias do Vale do Jaguaribe.
Muito bem: foram esses homens e foram essas mulheres, povoadores do País do Jaguaribe, que nos contaram as histórias que eles mesmos viveram, de sangue e de sol, e que repercutem aqui e alhures, testemunho que são de uma luta tenaz e ininterrupta contra os elementos, numa região onde muitos rincões são de uma aridez desencorajadora e inóspitos aos mais temerosos dos castigos climáticos. Mas o nosso País do Jaguaribe ostenta, igualmente, vales fertilíssimos, onde vicejam o verde e a esperança.
E por mor de que ouvi, criança, relatos fantásticos advindos daqueles tempos heróicos de sertões passados e encobertos pelo manto do tempo-muito, só queria lembrar a de Pierre Labatut, fantasma assombroso deambulante da Chapada do Apodi e a da Carimbamba, aquela ave mítica de canto encantatório.
Escritores, poetas, romancistas, artistas, políticos, religiosos, publicistas de um modo geral e homens comuns, de uma severa dignidade, como lavradores e pastores de cabras, o País do Jaguaribe tem-nos oferecido, ao Brasil e ao mundo, em profusão.
*Luciano Maia, Mestre em Literatura Brasileira, Professor de História da Arte na UNIFOR, ocupa a cadeira 23 da Academia Cearense de Letras.
Fotos relacionadas ao texto

Bastiões -Iracema- Ce

Limoeiro do Norte- Ce
Fonte: Google

Castanhão - Nova Jaguaribara - Ce

Jaguaribe- Ce

Boqueirão de Orós -Icó -Ce
quinta-feira, 15 de março de 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
Outono
Minha flor de um belo jardim
Que derruba sobre a terra as suas folhagens
E o vento leva para bem longe
as suas sementes que irão germinar
n’algum lugar espirituoso.
A música de um violino a soar
pelas escadarias como nos castelos
medievais do Velho Mundo.
E, em seus aposentos, começam a meditar
na solidão lembranças ressuscitadas
De outros tempos.
Palavras ao vento são bem guardadas
desse outono glorioso
para a chegada bem florida
da primavera.
Que derruba sobre a terra as suas folhagens
E o vento leva para bem longe
as suas sementes que irão germinar
n’algum lugar espirituoso.
A música de um violino a soar
pelas escadarias como nos castelos
medievais do Velho Mundo.
E, em seus aposentos, começam a meditar
na solidão lembranças ressuscitadas
De outros tempos.
Palavras ao vento são bem guardadas
desse outono glorioso
para a chegada bem florida
da primavera.
segunda-feira, 5 de março de 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Tocar o céu
Tocar o céu com
os dedos
e, sempre rodeados de sorrisos
caminhar no mar
e sentir o vento no rosto.
Esperamos que os sonhos seja
la esperança de ver o mundo
mais justo entre as pessoas.
..............................................
Toccare il cielo con le dita
da sempre circondate da sorrisi
camminare nei mare
e sentite il vento nella faccia.
Speriamo che i sogni sia
la speranza di vedere il mondo
più giusto tra le persone.
Fortaleza
Ainda eis uma "Belle Époche' !
Seus casarões antigos que resiste à modernidade
com suas belas fachadas de cores vivas.
O céu cor de anil que brilha essa imensa
Fortaleza com o seu mar verdejante que és
''a loira desposada do sol,
dormita à sombra dos palmares." *
Esculturas que embeleza o centro da capital
de 'entes' que compartilham dessa história cultural
com suas poesias, crônicas e romances.
com suas belas fachadas de cores vivas.
O céu cor de anil que brilha essa imensa
Fortaleza com o seu mar verdejante que és
''a loira desposada do sol,
dormita à sombra dos palmares." *
Esculturas que embeleza o centro da capital
de 'entes' que compartilham dessa história cultural
com suas poesias, crônicas e romances.
Margleice Pimenta
* Francisco Paula Ney (Paula Ney) escritor cearense de Aracati/Ce (2/2/1858)
+ Rio de Janeiro, RJ, (13/10/1897)
* Francisco Paula Ney (Paula Ney) escritor cearense de Aracati/Ce (2/2/1858)
+ Rio de Janeiro, RJ, (13/10/1897)
domingo, 12 de fevereiro de 2012
No dia 16.01/12 descobri através do blog http://nossoliterariobloguinho.blogspot.com/ essa fantástica surpresa, publicada no dia 14.02. A Aninha D, a profa. Margarete e o Leon, do Nosso Literário Bloguinho, esse trio ESPETACULAR fizeram uma grande surpresa para mim com belas palavras sobre a minha pessoa...é gratificante o reconhecimento, sem maiores pretenções. Fico emocionada com o carinho...deixo o meu agradecimento para TODOS ESSES AMIGOS.A profa. Margarete tive o prazer de conhecê-la pessoalmente. Ela já me agraciou com dois de seus livros publicados.
Adoro esse pessoal do RN, é um Estado vizinho do CEARÁ que tive o prazer de conhecer pessoas maravilhosas da Faculdade e fora dela.
A amizade é um círculo que devemos cativar sempre para que sejamos seres humanos melhores em nossas relações com o outro. Ser 'VERDADEIRO'em suas palavras e compartilhar das emoções, da cumplicidade e pregar os ensinamentos deixados por JESUS. Ser leal,é encontrar também o seu 'EU' do 'OUTRO'.
Carta de Amor
Aquela ‘carta de
amor’ escrita
na máquina de
escrever,
com versos
poéticos que recorda
o poeta inglês Shakespeare.
Em seu quarto observa
os raios do sol
que penetram pela janela
E, cada palavra inspirada
são emoções efervescentes
dentro do peito
que circunda a cada momento.
Uma bela paisagem no jardim
e o canto do beija-flor
faz o coração bater mais forte
e se maravilhar com a beleza da'natura'
que faz todo a 'metamorfose' se realizar.
Da flor que surg o néctar;
Em seu quarto observa
os raios do sol
que penetram pela janela
E, cada palavra inspirada
são emoções efervescentes
dentro do peito
que circunda a cada momento.
Uma bela paisagem no jardim
e o canto do beija-flor
faz o coração bater mais forte
e se maravilhar com a beleza da'natura'
que faz todo a 'metamorfose' se realizar.
Da flor que surg o néctar;
e as abelhas os transportam,
espalhando as suas sementes
pelos os jardins:nasce o amor.
Margleice Pimenta 11-12/02/12
Margleice Pimenta 11-12/02/12
sábado, 11 de fevereiro de 2012
ENSAIO Clarice Lispector: tons e matizes
Ensaio da professora, poetisa e escritora Aíla Sampaio (clica no nome e entrará direto em seu blog sobre literatura) para o caderno LER (Cultura) do Diário do Nordeste -DN (Fortaleza) sobre a escritora Clarice Lispector.
Clarice Lispector possui, sem dúvida, uma extensa fortuna crítica; no entanto, não param de surgir novas -e pertinentes - reflexões sobre sua escritura
Sob o título de "Clarices: uma homenagem", surge o livro organizado pela professoras Fernanda Coutinho e Vera Moraes, pelo aniversário de 50 anos do volume Laços de família e pelos 90 que a escritora faria se estivesse viva, como o plural já sinaliza, traz Clarice Lispector em vários rostos, tons e matizes. A coletânea foi lançada em dezembro de 2011, no Centro Cultural Banco do Nordeste, no mesmo dia da abertura da exposição Clarice: Retratos, com curadoria de Fernanda Coutinho e Inês Cardoso.
Dos motivos
Não apenas os contos do livro aniversariante constituem objeto de estudo dos artigos, nem somente artigos falam da escritura de Clarice. São 540 páginas com 26 trabalhos acerca de seus contos, romances, crônicas, biografias, e duas entrevistas feitas pelas organizadoras da coletânea com pesquisadoras tutelares da obra clariceana: a brasileira Nádia Battela Gotlib, autora de Clarice fotobiografia e Clarice: uma vida que se conta; e a professora francesa, Nadiá Setti, responsável por vários estudos sobre a obra da escritora na Sorbonne.
ReleiturasDizer que os treze contos de Laços de Família já foram exaustivamente estudados no Brasil e em outros países não é nenhum modo de considerar os estudos acerca deles repetitivos, ao contrário, é uma forma de mais se admirar as suas possibilidades de interpretação que não se esgotam nunca e sempre conseguem surpreender o leitor. São 13 contos centrados, tematicamente, no processo de aprisionamento dos indivíduos através dos "laços de família"; 10 deles, notadamente, têm mulheres como protagonistas, e falam de sua prisão doméstica, de seu cotidiano, de suas formas de vida convencionais e estereotipadas. As narrativas parecem focar a classe média carioca, numa visão desencantada e descrente dos laços familiares, das convenções e dos jogos de interesses que predominam nas relações.
A abertura
O artigo que abre a coletânea Clarices, "En verdad, Clarice Lispector", de Aina Pérez Fontdevila, focaliza a escritura de Clarice, fala sobre a crítica que vincula sua criação ao feminino, assegura-lhe contornos míticos e faz a analogia escritura e corpo.
A mulher e o feminino são, inevitavelmente, as nuanças que mais se desenham em seu mundo ficcional, as matizes maiores dos seus textos. Assim, são também os leitmotivs de estudos mais constantes, como se pode ler nos artigos: "Laços de uma outra ordem - uma análise bakhtiniana do conto ´Feliz aniversário´, de Clarice Lispector", escrito por Gabriela Lírio Gurgel, que faz uma enunciação dialética entre o psíquico e o ideológico; vida interior e exterior. "Na dança de Eros e Thanatos: movimentos de vida e morte em Laços de Família", de Olga de Sá, autora do livro A escritura de Clarice Lispector, se disserta sobre a sensibilidade do universo feminino.
Escrita e feminino
Em "Mulheres, baratas e coisas afins", de Paulo Germano Barrozo de Albuquerque, levantam-se também questões ligadas ao feminino e faz-se a relação entre escrita e essência feminina nos textos dos livros Correio feminino e Só para mulheres, ambos organizados por Aparecida Nunes. Em "Inquietudes de ser mulher em Laços de Família", de Vera Moraes e Maria Elenice Costa Lima, analisam-se crônicas que focalizam a mulher e centra-se a investigação na personagem singular Pequena Flor, mostrando as relações eu versus outro e eu versus eu.
O leitor de Clarices se vê diante de um caleidoscópio de imagens e significações inesgotáveis do universo feminino, desbravando novas leituras e possibilidades de interpretação. No artigo "O verde úmido subindo em mim: a mulher e a magia do jardim em Clarice Lispector", Vera Moraes analisa a crônica "O ato gratuito", do livro A descoberta do mundo, focalizando ainda outras crônicas da mesma obra, e os contos "O Búfalo", "Amor" e "Mistérios em São Cristóvão", com apoio teórico de obras de Walter Benjamim, Maurice Merleau-Ponti e Didi-Huberman, resultando num belo estudo fenomenológico. Em "A hora perigosa da tarde nos Laços de Família: Clarice Lispector e o movimento feminista", Nilson Dias perquire a busca da identidade, debatendo os confrontos entre a mulher e seu mundo normativo, assunto reiterado praticamente em todos os enredos.
A alteridade
"Três mulheres de Pedra ou de possíveis atalhos para um rompimento de cerco - uma leitura do romance A cidade sitiada", de Gilberto Figueiredo Martins, por sua vez, enfoca as relações de alteridade na cidade, as máscaras e os disfarces sociais no universo dos personagens, citando críticos como Roberto da Matta, Regina Pontieri, Mary Del Priore, Nicolau Sevcenko e atribuindo uma dimensão documental à obra.
Elementos-chave da escrita de Clarice LispectorClarice Lispector nasceu na Ucrânia, em 1925, e morreu na cidade do Rio de Janeiro, 1977). Em seu livro de estria, Perto do coração selvagem, já revela as marcas de toda a sua criação: a presença de metáforas insólitas, o fluxo da consciência, o monólogo interior, a ruptura com o enredo factual.
A epifania
Suas personagens, mergulhadas em profunda introspecção, vivem numa atmosfera nebulosa, pois são castradas para a vida real. Mas, de quando em vez, sentindo-se sufocadas, ela explodem para a vida real, momento em que são tomadas por um tremendo mal-estar, experimentando náuseas, tonturas e ânsia de vômito. Quanto a isso, uma das mais emblemáticas cenas ocorre quando, no conto "Amor", a protagonista Ana, estando sentada num banco de bonde, depara um cego mascando chicles, e tudo se torna uma estranha sofreguidão. E, logo, um grande mal será feito, sendo, a partir de então, as coisas irremediáveis.
Tudo isso encontra harmonia numa linguagem bem trabalhada, que toca o poético. Sua ficção concentra-se, sobretudo, nas regiões mais profundas do inconsciente, investigando, assim, os desejos e as volições que, as mais das vezes, são ignoradas até pelas próprias personagens.
Recursos expressivosO espaço exterior, em suas narrativas, tem importância secundária, pois, tudo se resume à mente das personagens. Assim, o objetivo maior do texto é o momento da epifania: a personagem descobre que vive num mundo absurdo, - o que se dá por meio de um fato inusitado, a partir do qual, o desequilíbrio interior provocará uma mudança radical na vida da personagem. Obras: A paixão segundo GH; A hora da estrela; Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres; (romances) e Laços de família (de contos)
AÍLA SAMPAIO
COLABORADORA*
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1103700
Clarice Lispector possui, sem dúvida, uma extensa fortuna crítica; no entanto, não param de surgir novas -e pertinentes - reflexões sobre sua escritura
Sob o título de "Clarices: uma homenagem", surge o livro organizado pela professoras Fernanda Coutinho e Vera Moraes, pelo aniversário de 50 anos do volume Laços de família e pelos 90 que a escritora faria se estivesse viva, como o plural já sinaliza, traz Clarice Lispector em vários rostos, tons e matizes. A coletânea foi lançada em dezembro de 2011, no Centro Cultural Banco do Nordeste, no mesmo dia da abertura da exposição Clarice: Retratos, com curadoria de Fernanda Coutinho e Inês Cardoso.
Dos motivos
Não apenas os contos do livro aniversariante constituem objeto de estudo dos artigos, nem somente artigos falam da escritura de Clarice. São 540 páginas com 26 trabalhos acerca de seus contos, romances, crônicas, biografias, e duas entrevistas feitas pelas organizadoras da coletânea com pesquisadoras tutelares da obra clariceana: a brasileira Nádia Battela Gotlib, autora de Clarice fotobiografia e Clarice: uma vida que se conta; e a professora francesa, Nadiá Setti, responsável por vários estudos sobre a obra da escritora na Sorbonne.
ReleiturasDizer que os treze contos de Laços de Família já foram exaustivamente estudados no Brasil e em outros países não é nenhum modo de considerar os estudos acerca deles repetitivos, ao contrário, é uma forma de mais se admirar as suas possibilidades de interpretação que não se esgotam nunca e sempre conseguem surpreender o leitor. São 13 contos centrados, tematicamente, no processo de aprisionamento dos indivíduos através dos "laços de família"; 10 deles, notadamente, têm mulheres como protagonistas, e falam de sua prisão doméstica, de seu cotidiano, de suas formas de vida convencionais e estereotipadas. As narrativas parecem focar a classe média carioca, numa visão desencantada e descrente dos laços familiares, das convenções e dos jogos de interesses que predominam nas relações.
A abertura
O artigo que abre a coletânea Clarices, "En verdad, Clarice Lispector", de Aina Pérez Fontdevila, focaliza a escritura de Clarice, fala sobre a crítica que vincula sua criação ao feminino, assegura-lhe contornos míticos e faz a analogia escritura e corpo.
A mulher e o feminino são, inevitavelmente, as nuanças que mais se desenham em seu mundo ficcional, as matizes maiores dos seus textos. Assim, são também os leitmotivs de estudos mais constantes, como se pode ler nos artigos: "Laços de uma outra ordem - uma análise bakhtiniana do conto ´Feliz aniversário´, de Clarice Lispector", escrito por Gabriela Lírio Gurgel, que faz uma enunciação dialética entre o psíquico e o ideológico; vida interior e exterior. "Na dança de Eros e Thanatos: movimentos de vida e morte em Laços de Família", de Olga de Sá, autora do livro A escritura de Clarice Lispector, se disserta sobre a sensibilidade do universo feminino.
Escrita e feminino
Em "Mulheres, baratas e coisas afins", de Paulo Germano Barrozo de Albuquerque, levantam-se também questões ligadas ao feminino e faz-se a relação entre escrita e essência feminina nos textos dos livros Correio feminino e Só para mulheres, ambos organizados por Aparecida Nunes. Em "Inquietudes de ser mulher em Laços de Família", de Vera Moraes e Maria Elenice Costa Lima, analisam-se crônicas que focalizam a mulher e centra-se a investigação na personagem singular Pequena Flor, mostrando as relações eu versus outro e eu versus eu.
O leitor de Clarices se vê diante de um caleidoscópio de imagens e significações inesgotáveis do universo feminino, desbravando novas leituras e possibilidades de interpretação. No artigo "O verde úmido subindo em mim: a mulher e a magia do jardim em Clarice Lispector", Vera Moraes analisa a crônica "O ato gratuito", do livro A descoberta do mundo, focalizando ainda outras crônicas da mesma obra, e os contos "O Búfalo", "Amor" e "Mistérios em São Cristóvão", com apoio teórico de obras de Walter Benjamim, Maurice Merleau-Ponti e Didi-Huberman, resultando num belo estudo fenomenológico. Em "A hora perigosa da tarde nos Laços de Família: Clarice Lispector e o movimento feminista", Nilson Dias perquire a busca da identidade, debatendo os confrontos entre a mulher e seu mundo normativo, assunto reiterado praticamente em todos os enredos.
A alteridade
"Três mulheres de Pedra ou de possíveis atalhos para um rompimento de cerco - uma leitura do romance A cidade sitiada", de Gilberto Figueiredo Martins, por sua vez, enfoca as relações de alteridade na cidade, as máscaras e os disfarces sociais no universo dos personagens, citando críticos como Roberto da Matta, Regina Pontieri, Mary Del Priore, Nicolau Sevcenko e atribuindo uma dimensão documental à obra.
Elementos-chave da escrita de Clarice LispectorClarice Lispector nasceu na Ucrânia, em 1925, e morreu na cidade do Rio de Janeiro, 1977). Em seu livro de estria, Perto do coração selvagem, já revela as marcas de toda a sua criação: a presença de metáforas insólitas, o fluxo da consciência, o monólogo interior, a ruptura com o enredo factual.
A epifania
Suas personagens, mergulhadas em profunda introspecção, vivem numa atmosfera nebulosa, pois são castradas para a vida real. Mas, de quando em vez, sentindo-se sufocadas, ela explodem para a vida real, momento em que são tomadas por um tremendo mal-estar, experimentando náuseas, tonturas e ânsia de vômito. Quanto a isso, uma das mais emblemáticas cenas ocorre quando, no conto "Amor", a protagonista Ana, estando sentada num banco de bonde, depara um cego mascando chicles, e tudo se torna uma estranha sofreguidão. E, logo, um grande mal será feito, sendo, a partir de então, as coisas irremediáveis.
Tudo isso encontra harmonia numa linguagem bem trabalhada, que toca o poético. Sua ficção concentra-se, sobretudo, nas regiões mais profundas do inconsciente, investigando, assim, os desejos e as volições que, as mais das vezes, são ignoradas até pelas próprias personagens.
Recursos expressivosO espaço exterior, em suas narrativas, tem importância secundária, pois, tudo se resume à mente das personagens. Assim, o objetivo maior do texto é o momento da epifania: a personagem descobre que vive num mundo absurdo, - o que se dá por meio de um fato inusitado, a partir do qual, o desequilíbrio interior provocará uma mudança radical na vida da personagem. Obras: A paixão segundo GH; A hora da estrela; Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres; (romances) e Laços de família (de contos)
AÍLA SAMPAIO
COLABORADORA*
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1103700
ENSAIO A poética do devaneio 11.02.2012
A infância é outro tema visitado, em diferentes abordagens. Em "De máscaras e desejo: infância na contística de Clarice Lispector", Élcio Luís analisa dois contos emblemáticos - "Felicidade Clandestina" e "Restos de Carnaval" - num aporte psicanalítico do desejo infantil e dos obstáculos a serem transpostos para a realização deles.
Resgates
"Clarice e a infância jamais perdida", de Fernanda Coutinho, resgata a Clarice menina, nas ruas de Recife, para intuir as páginas lidas que encantaram e viraram as palavras poéticas da escritora. São as vivências dos tempos de criança que norteiam, de acordo com a professora, a criação subsequente da escritora que enveredou pelas letras em tenra idade.
Já "Margens da alegria: a infância em 'A menor mulher do mundo'", de Sarah Diva da Silva Ipiranga, associa surpreendentemente as reações de Pequena Flor, a pigmeia minúscula que tem medo de ser devorada, ao comportamento infantil, embora já seja ela uma mulher e esteja grávida. Embora, como já se disse, os artigos não se limitem à análise das narrativas de Laços de Família, é dessa obra que surge a maioria dos artigos, cujos enredos propiciam diálogos homoautorais, o que dá unidade ao livro, pelas recorrências temáticas e ressignificações.
Dos processos
A análise do processo criador aparece à luz da Poética do devaneio, de Gaston Bachelard, em "Poética e devaneio do processo criativo de Clarice Lispector", de André Luiz Gomes e Jean Claude Miroir. Nesse esteio de análise da escritura, tem-se, ainda, "Devaneio e embriaguez duma rapariga": Clarice Lispector e a narração falsificadora", de Ilza Matias de Sousa, pesquisa embasada em teóricos como Gilles Delleuze, Maurice Blanchot, Féliz Guattari, Jacques Derrida, Michel Foucault. "A bruta flor do amor", de Lúcia Castelo Branco, com base em textos de Maurice Blanchot e Jacques Lacan, investiga os caminhos do leitor do conto "Amor" e fala sobre as contradições dos sentimentos nele existentes. Em "'Mistério em São Cristóvão' ou os mascarados e a mocinha do fio branco", de Odalice de Castro Silva, destacam-se os jogos de linguagem e esconde-esconde da autora de 'escrita insidiosa', que constantemente escamoteia a relação entre vida e Literatura.
Quatro leituras
"A menor mulher do mundo e outras mulheres nos laços narrativos de Clarice Lispector", de Ângela Fernandes de Lima" focaliza 4 contos - "A menor mulher do mundo", "Uma galinha", "Feliz aniversário" e "A imitação da rosa", mostrando a relação eu versus o outro e centrando parte da análise na figura da personagem Pequena Flor, a mais diferente das mulheres clariceanas.
Em "O teatro da crueldade e o animal - escrita na fábula da modernidade clariceana", Ilza Matias de Sousa e Maria Eliane Sousa da Silva analisam os devires, com base em Maurice Blanchot, Antonin Artraud, Gilles Delleuze e Félix Guattari. Em "Nem tanto a Ulisses nem tanto a Penélope: a sobrevivência do mito em Clarice Lispector" de Maria Aparecida Ribeiro, resgatam-se os significados dos mitos na associação entre os personagens de Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres a Ulisses e Penélope, da epopeia Ilíada, de Homero.
Múltiplos diálogos
Saindo das obras para a vida, mas perquirindo sempre a criação literária, "Essa coisa íntima que está sempre queimando em Lúcio e Clarice", de Teresa Montero, autora da biografia Eu sou uma pergunta (1999), fala sobre a amizade entre Lúcio Cardoso e Clarice Lispector, suas influências e trocas de afetos.
O diálogo da literatura com outras linguagens, por meio do texto clariceano, aparece nos artigos de Ermelinda Ma. Araújo Ferreira ("Sujos quintais com tesouros: escrita e riprografia em CL"), que investiga escrita e riparografia, fazendo a equiparação da escrita clariceana à riparografia da pintura; e no de Taciana Oliveira, "Acordes para um roteiro", que disserta sobre o filme "A descoberta do Mundo", dela em parceria da cineasta com Teresa Montero, biógrafa de Clarice; a proposta é, no filme, tecer o diálogo da obra com a autora. Já "Clarice por trás da objetiva" é uma resenha sobre o livro Clarice fotobiografia, de Nádia Gotlib, feita por Ricardo Iannace, acerca da cronologia de fotos publicadas no volume.
O diálogo da literatura com outras linguagens, por meio do texto clariceano, aparece nos artigos de Ermelinda Ma. Araújo Ferreira ("Sujos quintais com tesouros: escrita e riprografia em CL"), que investiga escrita e riparografia, fazendo a equiparação da escrita clariceana à riparografia da pintura; e no de Taciana Oliveira, "Acordes para um roteiro", que disserta sobre o filme "A descoberta do Mundo", dela em parceria da cineasta com Teresa Montero, biógrafa de Clarice; a proposta é, no filme, tecer o diálogo da obra com a autora. Já "Clarice por trás da objetiva" é uma resenha sobre o livro Clarice fotobiografia, de Nádia Gotlib, feita por Ricardo Iannace, acerca da cronologia de fotos publicadas no volume.
Considerações finais
É interessante, também, ler crítica sobre a crítica, - "O leitor sitiado e a renovada experiência da leitura: uma crítica que se conta", de Diana Junkes Martha Toneto, faz uma leitura crítica do livro Clarice: uma vida que se conta, de Nádia Gotlib. Por último, sabe-se acerca do catálogo da coleção Clarice Lispector do Instituto Moreira Sales, bem exposto por Fábio Frohwein, com o inventário de todos os arquivos, correspondências, documentos sonoros, pinturas, fotografias e obras. Clarices: uma homenagem é um marco na fortuna crítica da obra de Clarice Lispector e se afirma, desde seu lançamento, como um livro fundamental acerca da diversidade e complexidade do texto clariceano bem como de sua vida mitificada e ilusoriamente compreensível por meio dos seus escritos.
SAIBA MAIS
SAIBA MAIS
BLOOM, Harold. Cabala e crítica. Rio de Janeiro: Imago, 1991
MORAES, Alexandre. (Org.) Clarice Lispector em muitos olhares Espírito Santo: UFES, 2000
MOSER, Benjamin. Clarice, uma biograifia. São Paulo: Cosac Naify, 2009
NUNES, Benedito. O drama da linguagem: uma leitura de Clarice Lispector. São Paulo: Ática, 1989
SANTOS, Roberto Corrêa dos. Lendo Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Atual, 1986
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1103705
MORAES, Alexandre. (Org.) Clarice Lispector em muitos olhares Espírito Santo: UFES, 2000
MOSER, Benjamin. Clarice, uma biograifia. São Paulo: Cosac Naify, 2009
NUNES, Benedito. O drama da linguagem: uma leitura de Clarice Lispector. São Paulo: Ática, 1989
SANTOS, Roberto Corrêa dos. Lendo Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Atual, 1986
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1103705
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
L'anima del cuore

Ci sei !?
Su tutti le condizioni della vita
per non lasciare di essere permeabile
como un suffragge
C'e una solidità
troppo forte nelle atteggiamenti
di persone senza carattere...
E' poi rimanere forte
e lontano di tutto
che sta sotto l'influenza di
un 'Phármakon'.
Oh, molti persone mantiene
un volto privo sensi di colpa
Dormire come 'un uccello nel suo nido'
É vivere senza "non cura" con l'altre.
Margleice Pimenta 29.01.12
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